domingo, 24 de janeiro de 2016

MANIFESTO DO NADA NA TERRA DO NUNCA - LOBÃO

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    RECOMENDO! Fiz questão de iniciar essa postagem dessa maneira pois gostei muito desse livro. Sou fã do Lobão mas confesso que deixei de ser fã de rock há algum tempo. Não fiz isso por nenhuma aversão ao gênero, pelo contrário, ainda viro "headbanger" quando ouço Sepultura, Ratos de Porão ou The Cult, contudo as obrigações diárias acabam nos afastando de certos prazeres bem mais evidentes na juventude. Sempre acompanhei uma notícia ou outra sobre o Lobão e qualquer observador atento às mudanças de comportamento percebeu que o cantor continua um rebelde mas agora bem mais maduro e seguro de suas opiniões políticas e musicais.
    O livro é lido com muito prazer pois é possível ter experiências de reflexão, humor, posicionamento político e narrativas espetaculares por vezes até carregadas de uma visão poética aliada a uma miríade de neologismos ao mesmo tempo agressivos e engraçados tais como: "bundamolice" (kkk) esse quase me mata de rir! Segue adiante o que mais gostei na obra.
    Excelente o capítulo "Viagem ao coração do Brasil". É um Lobão mais tranquilo e menos afetado aos contraditórios eventos que parecem persegui-lo durante o livro até este capítulo. As crônicas revelam um escritor maduro e, na medida em que ele se permite, muito poético.

    O mais relevante que aprendi até agora com o livro é que, mesmo tendo feito muita pesquisa em literatura passando por obras e autores como Casa grande e senzala, Sergio Buarque de Holanda e até Celso Furtado e muitos documentário sobre a vida e obra de Anísio Teixeira, mesmo em todas essas incursões eu não conseguia chegar em três pontos nevrálgicos de nossa realidade: A corrupção, a supervalorização da cultura e linguagem popular em detrimento (até negação) da norma culta em linguagem aliada ao desvalor das expressões estrangeiras em literatura e artes e, finalmente nossa própria cultura POP (aqui me refiro à musica, artes e TV). Apesar de ser estudante e professor de literatura nunca havia feito uma ligação tão clara do movimento antropofágico com os três aspectos acima citados (Link muito bem feito no livro). Ficou claro perceber que muito da aversão a todo tipo de estrangeirismo cultural, nos isolou de qualquer enriquecimento, contribuição e até criação de uma linguagem artística mais cosmopolita e menos ufanista num nível que impede ver o que vem de fora como algo de valor também. 
    A valorização da linguagem popular tem seus méritos mas acabou se tornando exagerada e cínica na medida em que esqueceu de reconhecer que, apesar de ter seu valor enquanto construção histórica, refletia sobretudo a falência de estado em educar seus cidadãos a falar de acordo com a língua padrão. Hoje isso tornou-se uma regra e um preconceito difícil de engolir. "Não há modo certo de falar, há vários modos de falar e cada um tem seu espaço próprio de manifestação". Como professor de Português em escola pública posso dizer que isso é muito difícil de administrar pois somos instruídos a ensinar uma língua que o aluno não tem obrigação de usar. Dizemos: Você deve usar a norma culta somente em locais específicos, assim como só deve usar seu modo de falar cotidiano também em locais específicos." Quantas línguas afinal nosso alunos aprendem? 
     Além dos aspectos já citados é relevante ater-se ao posicionamento político-ideológico do escritor. A despeito de manifestar aqui minha posição neste terreno, é necessário citar que o livro é na verdade uma exposição de pontos de vista muito bem fundamentados de um cara que, amado ou adiado, constitui-se hoje em uma espécie de arquétipo de cidadão brasileiro avesso ao antigo estereótipo do malandro, preguiçoso, amante do samba e do carnaval. Há um novo cidadão brasileiro em gestação e o Lobão representa muito disso. Boa leitura a todos. O link para leitura está logo abaixo da capa.

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